Minha experiência com blogs, sites e meus textos

 · 10 mins read

Escrever é uma boa maneira de se desenvolver na carreira. Você consegue se aprofundar em conteúdos que está estudando, consegue gerar material para pessoas que podem estar precisando e é uma boa maneira de gerar visibilidade (pensando em empregos futuros). Uma vez que você decidiu começar um blog novo, vem uma dúvida: aonde postar esse conteúdo?

O questionamento “devo fazer um site próprio ou usar o Medium” tem aparecido com mais frequência. É uma dúvida válida e, muitas vezes, respondida na base de opiniões simplistas. Essa semana respondi esse questionamento para uma pessoa que veio me perguntar no Telegram. Eu escrevi tantas coisas pra fundamentar minha opinião, que eu decidi escrever um texto para dizer como foi minha história com o Medium, as mudanças que eu passei e o que eu penso sobre tudo isso.

Primeiros passos como “escritora”

Há três anos, quando eu decidi escrever meu primeiro texto contando como eu havia mudado de carreira, eu jamais havia pensado em escrever textos técnicos ou usar isso para aprimorar meus conhecimentos. Eu só tinha uma necessidade básica de contar a minha história em algum lugar. Descobri o Medium e achei a ferramenta perfeita pra o que eu precisava: um lugar pra colocar um texto meu. Zero burocracia, zero problemas em pensar em nome, nada. Era só fazer a conta e escrever.

O texto acabou sendo bastante divulgado por amigos e muita gente falou que gostou da minha escrita. Passei um bom tempo escrevendo textos no Medium, sem sequer parar pra pensar se eu deveria fazer diferente. A plataforma me proporcionava tudo o que eu queria: era fácil escrever no editor, podia compartilhar rascunhos com amigos e eu conseguia ver quantas pessoas acessavam meus textos. E mais: a própria plataforma se encarregava de divulgar meus textos para pessoas que se interessavam por aquele tipo de conteúdo.

Estatísticas disponibilizadas pelo Medium


E nisso, acho que o Medium é sensacional. Ele é extremamente acessível para pessoas com pouca bagagem técnica e pessoas que não querem ficar pensando muito sobre sites, ferramentas e acessos. Ele é um lugar pra escrever. Simples, fácil e rápido.

A mudança

Só que, no meio do caminho, percebi que o Medium começou a mudar seus objetivos. Agora textos eram bloqueados, você não podia acessar textos se não tivesse logado e as coisas pareceram perder o sentido pra mim. Eu escrevia texto para as pessoas verem, sem nenhum tipo de amarras, não queria ninguém potencialmente bloqueando elas.

Imagem de bloqueio de conteúdo do Medium


Eu já tinha um protótipo de site para colocar os links dos meus textos (e treinar minha habilidades ridículas de html e css), mas comecei a achar que fazia mais sentido deixar as coisas só no meu site. Em algum momento nesse período em que eu estava me questionando sobre tudo isso vi que o Luciano Ramalho publicou um texto genial chamado Porque cada pessoa deve ter seu site na Web. Cito uma frase em especial:

“Se todo mundo criar seu próprio site, a gente começa o longo e necessário processo de tomar de volta o controle da Web: a Web é nossa para a gente usar como quiser, e não para ser controlada por meia dúzia de mega corporações com seus algoritmos opacos.”

Então tomei uma decisão e decidi não só criar um novo site que permitisse que meu conteúdo ficasse armanezado lá como também decidi tirar o conteúdo que já estava no Medium. Escrevi um texto explicando algumas razões e avisando que novos textos só estariam disponíveis no meu site pessoal. Também retirei o conteúdo dos posts que não estavam vinculados a revistas (como o Hackernoon ou Coletividad) e inseri o link pro novo local onde o conteúdo estava disponível. Exemplo de como ficou um post que foi originalmente escrito no Medium e removido pro meu site:

Aviso deixado em cada post que foi recolocado no meu site pessoal


Isso deu um trabalho enorme. Só que eu queria evitar que o conteúdo dos textos no meu site fosse conteúdo duplicado, o que faria ele cair nas pesquisas no Google, por exemplo.

Construindo meu primeiro site

Eu usei o template Hydeout do Jekyll Themes para a primeira versão do site com textos. Jekyll usa Ruby por baixo dos panos e Markdown pra escrita de textos. Tem muitos temas bonitos pra escolher e muitos tutoriais sobre como colocar ele online com o Github Pages, então foi uma boa opção. Além disso tive ajuda da Jessica Temporal que fez esse tutorial mara que fala como criar seu site do tema ao ar. E assim eu fiz e lancei a primeira versão no dia 7 de Setembro de 2017.

Existem alternativas para o Jekyll como o Pelican pra Python e o Hugo para Go. Além de Wordpress e Dokuwiki que exigem ainda menos conhecimento de programação. Então, você criar um site próprio é, na verdade, menos traumático do que se imagina. E veja, muitas das plataformas já dão um domínio pronto! Você não precisa nem mesmo comprar um. O do Github Pages, por exemplo é <seunome>.github.io.

No meu caso eu comprei meu domínio leportella.com no Namecheap. Achei uma plataforma simples e eficiente. Recomendo.

Com um site pré-pronto do Jekyll, também consegui adicionar uma tag do Google Analytics, o que permitiu que eu tivesse várias outras informações a respeito de quem acessava meu site. Esse foi o número de acessos nos primeiros 10 meses após a mudança:

Estatítisca de usuários por dia, semana e mês nos primeiros 10 meses depois de colocar os meus textos no site (7/9/17 a 31/7/18)


Como é possível ver, eu comecei a ver um crescimento de pessoas no meu site, com um pico estimado de quase 3342 pessoas em um mês. E foi legal ver que a grande maioria dos acessos vinham de buscas orgânicas:

Origem dos acessos: o azul escuro indica buscas orgânicas


Só nisso, consegui ver uma grande vantagem em relação ao Medium: eu conseguia ter mais informações a respeito dos meus usuários. Eu conseguia ter informações em diferentes períodos de tempo, quais países estavam acessando meu conteúdo e muito mais.

Construindo a segunda versão

Apesar de adorar ter o meu site, eu achava ele pouco funcional para uma pessoa encontrar textos. Existia paginação e era lento chegar até textos mais antigos. Achei que estava na hora de uma mudança. Encontrei o tema Sleek que me parecia perfeito: rolagem infinita pelos textos, um modelo simples e bonito e muitas imagens, deixando o site visualmente mais interessante.

Além disso, o site já via com um plugin de SEO. Mudar de um tema para o outro foi BEM mais simples do que eu imaginava, tive que mexer nos arquivos de configuração e, pro caso do Sleek, tive que adicionar imagens para cada post. Eu usei o Pexels para não ferir nenhum direito autoral. O trabalho durou 2 dias e a minha segunda versão foi lançada no dia 24 de Agosto de 2018.

Claro que, nesse meio tempo, eu fui aumentando a quantidade de posts e gerando mais e mais conteúdo pro site. E a combinação de um bom template para encontrar textos + plugin de SEO + mais textos em duas línguas acabou dando um resultado muito maior do que eu podia imaginar. Hoje, o meu site já passou dos 6 mil acessos port mês, a grande maioria (>80%) por buscas orgânicas.

Estatítisca de usuários por dia, semana e mês 2 meses antes de colocar a nova versão do site (1/4/18 a 31/7/18) e depois de colocar a nova versão do site (24/8/18)


Portanto, pro meu caso, a mudança impactou positivamente os meus acessos. Eu aumentei o controle sobre as informações das pessoas que trafegam no meu site e o melhor: não dependo de nenhuma ferramenta centralizadora pra alcançar os objetivos que eu tenho com o site.

Mas… e o Medium?

Recentemente eu voltei a escrever textos no Medium. A revista do meu podcast Pizza de Dados está no Medium e eu também escrevo textos para o Data Bootcamp. Como eu disse anteriormente, o Medium pode ser uma ótima plataforma pra alavancar os textos, então é impossível ficar totalmente fora disso. O que eu faço é criar posts no meu site que redirecionam pro texto completo no Medium além de constantementr traduzir os textos pra inglês e deixar essas versões disponíveis no meu site.

Qual língua escrever?

Essa é outra dúvida recorrente: em qual língua escrever? Eu tento, ao máximo, disponibilizar textos em português E inglês. Eu gosto de ter conteúdo em português para ajudar a democratizar o conhecimento para inúmeras pessoas que não falam inglês. Acho isso extretamente importante para melhorar o nosso país, mesmo que isso não gere a mesma quantidade de visualizações. Por outro lado, textos na língua inglesa geram mais visibilidade porque podem ser acessados do mundo todo. Isso é um fato. No momento estou morando fora do país e escrever textos em inglês pode me ajudar a ter visibilidade num mercado do qual pouco conheço, então tenho priorizado essa língua primeiro, normalmente.

Portanto, qual o seu objetivo com os textos? Que público pretende atingir? Se não puder escolher ambos e se não tiver planos de sair do país a minha sugestão é: faça em português. Vamos ajudar a aumentar o conteúdo técnico do nosso país e ajudar aqueles que não tiveram oportunidades de aprender outra língua :)

E se você pensa que isso não faz diferença, mesmo tendo metade dos meus textos em inglês o Brasil representa quase 40% dos meus acessos:

Site como seu cantinho pessoal

Uma coisa que eu gostei de fazer no meu site pessoal, além dos textos, foi escrever uma sessão de currículo do jeito que eu queria. Esqueça currículo de 1 página ou seu perfil no Linkedin. O que você gostaria que estivesse no seu currículo?

No meu caso, eu coloquei palestras, workshops e webinars que eu dei, uma sessão com podcasts que eu participei, projetos open source que eu contribui e até uma sessão que fala sobre o que pessoas já escreveram sobre mim e o meu trabalho.

Você é mais do que um currículo mostra. E você deve ter um espaço pra colocar as coisas que são relevantes pra você, e não necessariamente pras empresas. É como se fosse “seu cantinho do sucesso”. Não tenha vergonha dele.

Tá… mas qual escolher?

A escolha continua difícil. Ter um site pessoal dá muito mais trabalho e exige ficar procurando tutoriais na internet (e às vezes até um pouco de conhecimento técnico). Se seu objetivo for só escrever por escrever (sem grandes questionamentos filosóficos nisso), se for só pra ter um portfólio e gerar visualizações para alavancar sua carreira, eu iria de Medium.

Agora, se você pretende ter um “cantinho seu” na internet, quiser que seu conteúdo seja livremente acessado e você tenha mais controle sobre o que acontece nele, eu faria um site pessoal.

Mas veja: independente de qual você escolher você sempre pode mudar de ideia depois. Eu mudei. Você não tem nenhuma obrigação de escolher a ferramenta que vai usar pro resto da vida. Você pode usar uma pra alavancar outra, também! Colocar parte do texto no Medium redirecionando pra versão completa no seu site e vice-versa. No fundo, no fundo, não importa. O importante é você criar conteúdo, aumentar seu conhecimento, compartilhar aprendizados e gerar valor pra sociedade como um todo. Independente de onde isso aconteça.