Mulheres ambiciosas

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As fofíssimas Pyladies Salvador pediram um texto para estrear o blog delas e me falaram que iam publicar esse texto no dia da mulher. Refleti muito a respeito do que escrever, do que eu poderia agregar de alguma forma nesse dia que tem tanto significado e resolvi que gostaria de conversar com vocês sobre ambição. Quão ambiciosa você se considera?

Sim, essa pergunta não é fácil e muito menos recorrente. Se você não tem uma resposta exata, vamos tentar dissecar esse tema de forma um pouco mais detalhada. Qual é o seu objetivo na vida? Aonde você quer chegar? Quão longe esta ideia está da onde você se vê chegando? Você realmente acha que aonde você quer chegar é o mais longe que você conseguiria chegar?

Lendo o livro da Sheryl Sandberg (diretora de operações do Facebook) me deparei com uma realidade meio desesperadora. Muitos falam sobre os problemas inerentes da socidade (o machismo, por exemplo) que dificultam a vida das mulheres. Mas o que eu achei mais sensacional deste livro é que ele mostra uma série de problemas intrínsecos à personalidade das mulheres. Apresento algumas estatíticas que achei mais relevantes:

  • Enquanto 36% dos homens gostaria de se tornar diretor, apenas 18% das mulheres apresentavam a mesma vontade.
  • Ao ser ofertado um emprego, 57% dos homens negociavam seus salários enquanto apenas 7% das mulheres o faziam.
  • Ao se apresentar um mesmo currículo sob nomes de gêneros diferentes (Heidi and Hyde), as pessoas tendem identificar as mulheres como “mandonas”, “difíceis de lidar” e normalmente, os entrevistados não se sentiriam dispostos a trabalhar com a pessoa do sexo feminino.

O que isso nos diz sobre mulheres ambiciosas? Passei a refletir a respeito e comecei a perceber como nossos exemplos de mulheres ambiciosas normalmente estão vinculados à mulheres problemáticas, viciadas em trabalho, com pouca vida social e não vou nem comentar sobre família! São as Good Wifes da vida… Não se lembra? Pense bem: me diga 1 ou 2 exemplos de mulheres bem sucedidas na ficção cuja vida é estável e controlada. Lembro-me no entanto de várias poderosas com uma vida (e uma sanidade mental) bem questionável: Carrie (Homeland), Cuddy (House), Annalise (How to get Away with Muder), Margaret (A proposta), Alicia (The good wife) e por aí vai…

Porque não vendemos a imagem de que podemos ter sucesso profissional e pessoal? Porque é tudo sempre tão difícil para as mulheres (até mesmo na ficção)? Temos que começar a pensar e refletir que tipo de impacto isso tem na nossa vida. E sempre cabe a pergunta: eu estou deixando de fazer algo que quero porque simplesmente é me dito que é impossível?

Nossos ideais culturais associam os homens às qualidades de liderança e as mulheres às qualidades de proteção. Quando uma mulher faz qualquer coisa indicando que talvez não seja acima de tudo boazinha e agradável, isso dá má impressão e nos incomoda (Debora Gruenfeld).

Então vamos à reflexão… de que forma você reconhece seus resultados e conquistas? Como você se auto avalia? Quantas vezes você diz “tive sorte” ou minimiza algo que você fez, com medo do elogio que é dado?

Vamos parar de dizer que “nós conseguimos o resultado” quando quem conseguiu foi você e você sozinha? Vamos parar de menosprezar nossas conquistas e assumir nossos feitos? Sim, sempre tem alguém que faz mais ou melhor, mas isso não desmerece nossos esforços em conseguir algo. Ou até mesmo um esforço em não conseguir algo. A derrota tem que ser vista como forma de aprendizado e não como algo a nos culpar para a vida.

Sim, existe o medo… o medo de não conseguir, de fazer a escolha errada, o medo de errar, de fracassar, de ser uma fraude, de ser julgada e medo de ser uma péssima mãe/filha/esposa. Todos esses medos existem, são reais e são, muitas vezes, paralisantes. Mas a falta de confiança pode ser uma profecia que se cumpre sozinha. Meu convite aqui hoje é para você refletir sobre isso e tentar mudar essa história. Nem que seja uma conquista de cada vez. Que tal chegar para alguém que você admira e dizer: “eu conquistei isso” ou “eu fiz isso sozinha e estou orgulhosa do que consegui”. Se você se sentir um pouco mais orgulhosa e confiante, acho que terei conquistado o que eu queria.

Se você se orgulhar de alguma coisa que você fez ou conquistou… eu consegui o que eu queria :)

E então eu te pergunto novamente… aonde você quer chegar?